beco escuro


14/05/2006


Os brasileiros – uma nova interpretação

por Roberto Pompeu de Toledo

 

O presidente do INSS, Valdir Moysés Simão, disse ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que foi ao ar na segunda-feira, que as filas nas unidades de atendimento do órgão se devem a uma "questão cultural". Seria um traço do povo brasileiro já tão arraigado na consciência coletiva que contra ele se esboroam as boas intenções das autoridades. A frase completa foi: "Por uma questão cultural, o segurado tem receio e acaba chegando muito cedo". Daí que desde a madrugada se formem as desagradáveis aglomerações em frente aos postos da Previdência.

A "doutrina Simão", chamemo-la assim, tem alcance que vai muito além da questão do atendimento no INSS. Ela abre as portas para uma nova e reveladora via de interpretação do Brasil. À luz da "questão cultural" temos uma explicação, por exemplo, para o fato de um número tão grande de brasileiros morar longe. Tantos bairros bons nas cidades, e eles insistem em se entocar nos cafundós-do-judas. Tantas ruas aprazíveis, arborizadas, com oportunidades de lazer e boas escolas por perto, e eles se refugiam em lugares onde a paisagem é árida e os serviços são precários. Alguns até insistem em se empoleirar em favelas. Tantos lugares bem urbanizados, em que as construções são seguras e os títulos de propriedade passíveis de ser legalizados, e eles preferem a construção improvisada, em lugares de risco e em terrenos dos quais jamais poderão ser proprietários. Só pode ser mania, uma invencível e irracional resistência a mudar de hábitos. Ou, como disse Simão, em formulação mais erudita, uma "questão cultural".

Do fato de morar longe resulta que uma grande massa de brasileiros gaste boa parte do dia a deslocar-se da casa ao local de trabalho, e vice-versa. São três, quatro, cinco ou mais horas em veículos de transporte coletivo que não oferecem conforto nem segurança. Já que insistem em morar longe, deveriam pelo menos equacionar melhor seu sistema pessoal de transporte. A indústria nacional produz bons automóveis – por que não adquirir um? Para quem não gosta de dirigir, há os táxis. E a vida moderna oferece até alternativas avançadas, como os helicópteros. Não. Eles preferem espremer-se em ônibus, vans ou trens. Tal a promiscuidade nesses meios de transporte que no Rio de Janeiro acaba de ser adotado o critério de reservar vagões só para as mulheres no metrô e nos trens de subúrbio. É mais trabalho que se dá às autoridades, resultado de hábitos da população tão arraigados que, como desvendou Simão, em seu precioso insight, só podem provir de uma questão cultural.

Tome-se outro setor, o da saúde. É fato conhecido que o Brasil possui bons hospitais. Também é fato conhecido que temos uma boa medicina, equiparável à dos países mais desenvolvidos e exercida por profissionais que atendem em consultórios bem montados e bem localizados. Que faz a maioria da população, porém? Prefere as filas (sempre as filas!) dos postos de saúde, ou as macas armadas nos corredores de abarrotados hospitais públicos. É "questão cultural" em estado puro. Há hospitais que até parecem hotéis de luxo, tal a excelência de suas instalações e do atendimento. A esmagadora maioria os rejeita em favor de uma assistência apressada, oferecida em prédios arruinados.

Volte-se o olhar para o ensino e o emprego, e o panorama é similar. Em cada cidade há um número considerável de boas escolas particulares, mas a massa prefere a aventura incerta da escola pública. No ensino superior, ao contrário, as melhores ofertas estão na universidade pública. Mas a maioria – cruel paradoxo – prefere as faculdades particulares, nas quais o ensino é pior e se tem de pagar. Isso quando se chega à faculdade, pois na maior parte dos casos se prefere nem chegar perto. No emprego, esses mesmos que optaram pelo ensino fundamental público e pelo ensino superior privado, ou que prescindiram do ensino superior, vão agora engrossar as fileiras daqueles que se jogam de corpo e alma nos cargos mal pagos, nas ocupações temporárias e nos arranjos sem carteira assinada. São costumes que, por ter origem cultural, não se mudam com facilidade. E no setor da segurança pública, então? Mora-se nas zonas mais desprotegidas, convive-se com bandidos na esquina de casa, e vigora até a compulsão de imiscuir-se no meio de tiroteios – daí a freqüência de vítimas de balas perdidas.

A maioria da população brasileira não viaja ao exterior. Teima em ficar em seu canto e, ao recusar-se a conhecer os centros mais avançados, priva-se de padrões de comparação que seriam úteis ao desenvolvimento pessoal e ao progresso coletivo. Eis outro traço de infaustas conseqüências. Demorou para que compreendêssemos o comportamento bizarro, na contramão da lógica mais comezinha, da maioria dos brasileiros. Foi preciso esperar por um funcionário do governo do PT. Outros governos, carentes de raízes populares, não teriam a mesma legitimidade. Este conhece o povo. Quando um seu porta-voz levanta a teoria da "questão cultural", é porque sabe do que está falando.

 

 

fonte: http://veja.abril.uol.com.br/030506/pompeu.html

         senha da edição é SAPEZAL

Escrito por Beto às 12h03
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20/03/2006


 

O Documentário "Falcão - Meninos do Tráfico" exibido hoje no Fantástico, teve uma edição que focalizou o cotidiano dos meninos do tráfico, a vida ingrata, a desestrutura da família, a maioria dos adolescentes mostrados não tinham pai, a falta de amor, a carência desses meninos é de sensibilizar qualquer um. No meu ponto de vista, isso foi feito para conscientizar as pessoas que atrás de um "falcão" existe um ser humano com sonhos, desejos, como qualquer outro, mas que infelizmente, nasceu num ambiente castrador, onde ser traficante, é ter dinheiro, status, pegar as gatinhas, porém o preço é muito alto, é a morte. Nesse ambiente, eles se tornam frios,  se alguém pisa na bola, já era.  Com a transformação dos "falcões" em humanos, fica mais fácil  sensibilizar a sociedade no intuito gerar ações como a CUFA  para que outras crianças não entrem nessa vida, está aí o mérito do documentário. 
Já 'Notícias de Uma Guerra Particular",  documentário que mostra o cotidiano de um soldado do BOPE e dos traficantes, mostra que tem bandido ruim mesmo, o que não foi mostrado no documentário  "Falcão..." , se mostrou foi com a justificativa de matar um cagueta. Estou escrevendo tudo isso, para dizer que temos que ter cuidado com a humanização do bandido, tem muito cara fdp que mata por um par de tênis, mata por matar, não tá nem aí, esse merece ser preso, apodrecer da cadeia. Há na polícia também uma cambada de fdp  que é pior que bandido, pois usa uma instituição pública em benefício próprio, para matar, amedrontar, assaltar, ganhar dinheiro etc e tal.
 
 
 
 

Escrito por Beto às 00h47
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08/03/2006


Regis, meu amigo beat

 
 
 
 
Hoje terminei de ler o livro "On The Road" de Jack Kerouac, pensei o tempo inteiro durante a leitura no meu amigo Regis, pois associe ele ao personagem Dean, um cara que gostava de pegar a estrada, viajando de leste á oeste no território americano, viajar pra ele era a liberdade suprema, podia ser num vagão de trem de carga junto com vagabundos, pedindo carona, mas o que ele mais gostava era dirigir em alta velocidade, 120 por hora, e quando o carro era bom, 170. Mas por que eu associei o Regis ao Dean? Bem, o Regis atualmente mora em Floripa, hoje me ligou dizendo que estava aqui em Sampa e que gostaria de passar aqui em casa, o Regis é imprevisível, assim como Dean. Dean costumava viajar milhares de km só para ver seu amigo Sal e no dia seguinte já estava voltando pra casa. O Regis também é capaz dessas coisas.  Além disso o Regis é muito mulherengo. Dean era totalmente maluco, foi casado três vezes, sempre que viajava se apaixonava por uma garota a ponto de se casar. Em Nova Iorque ele tinha uma mulher, em San Francisco outra, suas mulheres sabiam que ele tinha outros casos, mas compreendiam, de uma certa forma, o espírito inquieto, confuso, mulherengo e infantil  de Dean e se apegavam a ele mesmo com todos esses defeitos. Há ainda outras semelhanças, como o prazer pelo álcool y otras cositas más.
 
 
 
     
 
 
 
       
Jack Kerouac e seu amigo Neal Cassady
 
Neal Cassady é Dean em "On The Road"
 
 
                      

Escrito por Beto às 21h21
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Jack Kerouac

 
 
                       Jack Kerouac

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por Beto às 21h14
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03/03/2006


Moll Flanders

 
 
 
Na semana passada li o romance Moll Flanders do Daniel Defoe. Este livro foi escrito no começo do século XVIII, mesmo assim mostra um universo feminino atualizadíssimo, pois trata de questões que foram, é,  e serão sempre relevantes na busca da sobrevivência, de uma boa vida, de um bom  relacionamento. Além disso, mostra que por mais que tentamos controlar o destino, a vida é imprevisível, cheias de surpresas, no caso desse romance, de  muitas surpresa desagradáveis que torna a personagem fria, egoísta e interesseira. Existe um filme baseado neste livro http://www.gpw.com.br/hp/destaques_filme.asp?cod=100472 mas ainda não assisti. Geralmente o livro é sempre melhor que o filme.
 
 

Escrito por Beto às 11h05
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16/02/2006


Um pouco sobre mim

Foto: Minha mãe e alguns dos meus irmãos, Ceará, início dos anos 70.

 

Meu pais são cearenses

Seu Carmélio veio pra Sampa

Num pau-de-arara

Depois de alguns meses foi a vez da dona Francisca

E seus 7 filhos

Depois ela teve mais 3, eu e mais 2 irmãs

Toda essa cambada morou por algum tempo

Num cômodo e cozinha

Em cada cama dormia 2, 3 pessoas,

Dormia gente até debaixo da mesa

Aos 3 anos caí de uma altura de 3m

Rachei a cuca e quebrei alguns dentes

Fiquei algum tempo sem falar

Minha mãe me levou numa igreja evangélica

O pastor fez algumas orações

No mesmo dia volto a falar, mas com alguma dificuldade

Essa foi a primeira de várias quedas,

Sempre fui muito “arteiro”

Levei um tombo numa escada

Fui rolando mais de 30 degraus e quebrei outros dentes

Levei tombo de  bicicleta, carrinho de rolemã...

Fiz brinquedos com pedaços de madeira

Passava o dia na rua jogando bolinha de gude, futebol,

Futebol de botão, taco, 

Super trunfo

Repeti duas vezes a 1ª série

Me escondia pra não ir pra escola

Morei num “buraco quente” 

Alguns dos meus amigos usavam drogas e

Assaltavam a região

Realizei pequenos furtos

Principalmente na loja de brinquedos do bairro

Cheirei cola de sapateiro, lança perfume

Brincava de papai e mamãe,

Médico com minhas amiguinhas

Tomei muito banho de chuva

Subia nos pés de jabuticaba, manga e goiaba

Soltei muitos pipas

Tive vários cachorros

Desenhava no asfalto com pedaço de tijolo

Brinquei de mãe-da-mula, esconde-esconde...

Catei papelão, com o dinheiro

Comprava mortadela e tubaina

Pedia coisas nas casas de bairro de classe média

Trabalhei em lava-rápido

Tomava conta de carro na feira de domingo

Entregava o dinheiro para a minha mãe

comprar pão e leite durante a semana

Por morar de aluguel

Mudei várias vezes

Por muito tempo carreguei um dente

Tão torto que mal minha boca 

se fechava, por isso

Ficava com vergonha de rir

Não tive namoradinhas na adolescência

Sempre fui um bom aluno

Trabalhei 3 anos num laticínios

Por 1 ano, saía da escola 12h15

12h30 chegava em casa

almoçava, 12h45 saía

13h chegava no trabalho

Aos sábados trabalhava tanto

Que eu chegava em casa cansado

Tomava um banho, jantava e ia pra cama

Fumei maconha e passei mal

Resolvi fazer um curso técnico

Meu pai não deixou

Disse que eu precisava trabalhar

Um curso superior pra mim sempre

Foi algo distante devido as responsabilidades  em casa

Fiz 2 vezes cursinho pré-vestibular

Por 2 vezes não entrei na USP

Fui espirita Kardecista

Pensei que me tornaria um médium

E conversaria com os mortos

Morei 5 anos Cidade Tiradentes

Onde numa bela manhã

Uma bala perdida quase me atingiu

Fiz curso de fotografia e através disso

Conheci  pessoas especiais

Que hoje são meu amigos

Tenho 13 sobrinhos

Comecei a fazer rádio e tv, mas tive que parar por motivos financeiros

Hoje trabalho em casa com pesquisa de mercado

Acesso a internet diarimente

Adoro ouvir música, ler, assistir filmes

Tomar uma cervejinha com os amigos

Gostaria de ter viajado mais

Amado mais

Me divertido mais

Ter mais dinheiro

Ter meu espaço

Trabalhar com o que realmente eu gosto

Bem, ainda tem mais coisas

Mas deixa pra outro dia.

Escrito por Beto às 15h53
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14/02/2006


Muito Além do Jardim

 

O filme mostra a vida de Chance Gardem (Peter Selles), um sujeito viciado em assistir televisão.  Nada é mais importante para ele do que a televisão, pois é através desta que ele conhece e sente o mundo e a vida, para ele a televisão são seus olhos, coração, razão, alma, enfim, seu ser. Por isso, quando Chance se depara com alguma situação que ainda não presenciou pela televisão ele não sabe como agir, assim aconteceu quando pediram para ele atender o telefone e ele ficou mudo aguardando uma resposta do outro lado da linha, ou quando ele saiu de casa pela primeira vez e se deparou com um bando de garotos que o assustou, Chance rapidamente utiliza seu controle remoto para mudar essa situação desagradável, como se fosse um canal indesejável e com isso percebeu pela primeira vez que seu controle remoto não funcionava com a  vida real. Chance é um sujeito muito estranho, quase um alienígena, pois não tem passado, não sabe ler ou escrever, quando a CIA e os Jornais foram em busca de informações não encontraram nada a respeito dele e esse mistério aumentou ainda mais sua reputação.

            Além disso, Chance é um sujeito que fascina tanto os homens quanto as mulheres. Os homens, pela sua intuição, sabedoria, amizade, sinceridade, naturalidade. As mulheres, pela sua inocência, carisma, amor, gentileza, por ser “atraente”, “sexy”. E quem diria, até os gays se encantam com ele. Isso tudo acontece porque Chance aparenta ser uma pessoa boa, perfeita, e além disso e as pessoas alimentam essa imagem chegando a ponto de se apaixonar por ele.

            É um filme que ridiculariza a mídia , a política, o povo, enfim, toda a sociedade, através dos ruídos/erros de comunicação dos diálogos de Chance com as pessoas. Por isso a vezes o filme é engraçado.Chance não compreende metáforas, quando morreu o velho (patrão), a empregada falou que o dia estava terrível, e ele pensou que era o tempo. Já, quando ele fala com as pessoas, estas pensa que ele está se comunicando com metáforas. Foi assim com o presidente dos EUA, quando Ben (o velho rico) pede para ele falar sua  opinião sobre a crise econômica para o presidente e Chance fala como um jardineiro “No jardim o crescimento vem com as estações, primeiro primavera e verão, depois outono e inverno”. O presidente entendeu isso como uma metáfora de situações boas e ruins e depois usou isso em seu discurso.

            Outra situação engraçada foi quando Eve (Shirley Maclaine) se apaixona por ele, ela vai até o quarto dele, no momento em que ele está vendo um casal se beijando na televisão, ele agarra Eve e começa a imitar a cena, estava indo tudo bem, mas quando a cena desaparece ele não sabe mais o que fazer e, com isso Eve fica se masturbando no chão e Chance fica em cima da cama imitando posições de Ioga que estava passado na televisão.

            A única vez que Chance se comoveu com a vida real, foi quando Ben morreu, pois era uma situação que ele já havia presenciado com a morte do seu patrão e, sabia o que iria  acontecer.

            Quando Ben está sendo enterrado, Chance observa um pouco a situação e depois sai caminhando, logo em seguida aparece alguns velhos ricos (o poder) carregando o caixão de Ben e fazendo planos políticos sobre a escolha do próximo presidente (o fantoche) e nisso eles comentam o nome Chance, enquanto este numa cena memorável, caminha pelas águas de um rio. Por que será que ele não afundou? O rio pelo seu constante movimento é o símbolo da vida. Já dizia Heráclito: “Não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois tudo se dispersa e de novo se reúne, compõe-se e desiste. Então, talvez, Chance na faz parte desta vida e por isso ele não afundou. Além disso, o rio/mar é símbolo de conhecimento, pois para “encontramos o verdadeiro conhecimento sobre as coisas devemos sair da superfície das futilidades  e mergulharmos em busca da pérola do conhecimento”. Então, também pode ser que Chance não afundou por ser um indivíduo superficial. Qual será a resposta?

 

Título Original: Being There
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 130 minutos

Ano de Lançamento (EUA):
1979

Direção: Hal Ashby

Escrito por Beto às 21h16
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09/02/2006


Meu maior mico

Isso ocorreu numa tarde de sábado muito fria e chovosa

No aniversário de 4 anos do Matheus

Filho da minha sobrinha Daniela

Ela me convenceu a me vestir de palhaço para alegrar as crianças

Afinal, sou meio-palhaço

Gosto de brincar com as crianças

Sendo assim, achei que tudo daria certo

E lá fui eu vestir a roupa

Ao vesti-la percebi que  era curta pra mim

A calça ficou parecendo uma bermuda

Coloquei peruca

Pintei o Rosto

E finalizei colocando o clássico nariz de palhaço

Bem, tudo pronto, lá vou eu para o salão

Apareço fazendo um estardalhaço

As crianças olham pra mim com medo

Os adultos com uma cara de “o que é isso?”

Faço algumas brincadeiras sem graça

Não vejo a hora de tudo terminar

Ai, que vergonha!

Para a alegria geral

Chega o fim da minha performance

Nunca mais me visto de palhaço!

Ainda tive que suportar os comentários nos dias seguintes

Foi foda!

 

Escrito por Beto às 10h19
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07/02/2006


consumo logo existo

Sebo Jardins

Foi um dos lugares que eu mais freqüentei nesses últimos 5 anos

Esse sebo fica na rua Ramos Batista, na Vila Olímpia 

Quase de esquina com Juscelino Kubitchek

Eu trabalhava na CNP, que fica na Cardoso de Melo

Todo dia, na hora do almoço, eu caminha 10 minutos até lá

Fazia questão de almoçar sozinho para não perder tempo

Muitas vezes eu troquei o vale refeição por livros, revistas e discos

Como eu era cliente assíduo, eu tinha uma conta

Isso fez com que eu gastasse mais, mas também, comprei bastante coisa

Esse lugar era um templo pra mim

Nesse lugar encontrei  grandes artistas, escritores, músicos

Descobri o jazz, a música clássica

Para aqueles que assim como eu tem o prazer pelo conhecimento

Sebo é tudo de bom!

Comprar aquele LP antigo

Cuja a capa está repleta de poeira

Limpa-lo

Ver a capa voltar a brilhar

Ouvi-lo

Fechar os olhos e dizer:

Uau!

Isso é muito bom!

É um prazer indescritível

Como se fosse um orgasmo

Como você pode perceber

Sou diferente da “massa”

A “massa” está acostumada a gostar de coisas que são impostas

Seguir modas, tendências...

Isso deixa as pessoas desinteressantes, parecidas

Sendo assim, fica difícil ter um relacionamento que acrescente

Voltando ao LP

Quando vejo o disco, fico imaginando como ele foi feito

O operário que acordou cedo, tomou seu café, pegou ônibus

Passou horas na frente de uma máquina 

Repetindo diariamente os mesmos movimentos

Construi sua vida, seus sonhos

E agora pode estar em algum canto

Esquecido como os LP´s

É triste, mas costumamos fazer isso com os  mais velhos

As vezes nos lembramos deles

Quando o noticiário diz que morreu um aposentado na fila no posto de saúde

Essa semana já foram dois

Nossa sociedade valoriza os jovens

Não só porque são mais bonitos, sorridentes

Mas principalmente, porque são os mais consumistas

Escrito por Beto às 18h44
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06/02/2006


Karma

 

Já fui kardecista, resolvi deixar isso de lado, pois eu não estava concordando com algumas coisas, cheguei a conclusão que  não quero mais saber do "outro lado", no momento não estou seguindo nenhuma religião, mas procuro ter bons sentimentos, bons pensamentos e principalmente boas ações, porque, afinal, isso é o que conta.
Continuo acreditando em Deus, na espiritualidade, bem, pode ser que algum dia eu siga alguma religião, por enquanto, não tenho vontade, mas às vezes sinto falta. Olha, minha vida não é nada fácil, às vezes é foda, mas precisamos seguir vivendo, não podemos deixar a peteca cair, né?

Tem o lance do karma também, eu acho isso pesado, pois a felicidade na vida presente, acaba dependo de coisas que a gente  fez em vidas passadas. Tá legal, você vai me falar que isso é necessário para lapidar o espírito, para que ele possa atingir graus de evolução superiores, caramba, nada contra Deus, mas às vezes penso que Ele é uma espécie de um sádico que brinca com sua criação da maneirar que quer. Tem pessoas que sofrem tanto, mas não muda a situação, na saem de um relacionamento infeliz, não lutam pra mudar de vida, pois acreditam nesse tal de karma. Um dos paises que isso é mais difundido é na Índia, se você pesquisar sobre a formação da religião hindu, descobrirá que isso foi forjado pelos primórdios da elite daquele país, inventaram as castas, pessoas que nascem numa determinada casta já tem o seu destino pré-estabelecido, pois acreditam que o espírito reencarnado precisa passar por isso, sendo assim, no final das contas, tudo não passe de vontade de uma minoria de manter seu status.

A maioria do sofrimento, é causada pela  miséria, má distribuição de renda, falta de educação, alimentação, saneamento básico, pelas  guerras,  ódio, inveja, egoísmo, ambição, prepotência, enfim, o homem é o único responsável, o karma não tem nada a ver com isso.

É, o mundo seria bem melhor se não existisse esse animal mesquinho que é o ser humano.

Escrito por Beto às 11h55
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05/02/2006


ano-novo

Fui viajar no final do ano, fiquei do dia 27 dezembro ao dia 8 de janeiro em Ubatuba. Foi muito legal, a única coisa que às vezes me incomodou foi minha companheira de algum tempo, a solidão, continuo sozinho, como trabalhei muito em novembro e dezembro, não pensei muito nas coisas do coração, mas nas férias não teve jeito, é difícil estar num lugar lindo e não imaginar uma pessoa legal do lado para dividir os momentos de beleza e alegria. Meu ano-novo teve momentos de muita tristeza e outros de alegria. Na virada do ano fui pra praia com o pessoal, ficamos num quiosque onde tinha um DJ tocando algumas músicas horríveis, o som estava muito alto, me afastei do pessoal, fiquei vendo as menininhas bonitinhas dançando, estava loco pra beijar um gatinha, a certa altura fiquei de saco-cheio e fui caminhando pela praia, eram quase meia-noite, muita gente de branco, os fogos já estavam preparados, de repente começou a gritaria, fogos iluminando o céu,  nisso, uma a tristeza me envolveu, lágrimas banharam meu rosto,  a solidão me acompanhava no meio da multidão. Quando os fogos terminaram, resolvi voltar para o apê, no caminho encontrei minha irmã, meu cunhado, minha sobrinha,  o Paulão e sua namorada, naquele instante meu sorriso se abriu,  comprimentei a todos, abracei o Paulão como se a gente se conhecesse a séculos,  ele me passou um garrafa de Vodka,  não pensei duas vezes e tomei um bom gole pra afastar ainda mais a tristeza.  Que figura esse Paulão, conheci o cara num dia que eu fui jogar bilhar com meu cunhado num bar perto do apê. Como não havia mesa disponível, o Paulão, que já estava em uma das mesas jogando com sua namorada,  convidou eu e o Léo (meu cunhado) para jogar.  Jogamos várias fichas, bebemos muitas brejas, o cara é gente boa pra caramba, demos muitas risadas. Espero revê-lo aqui em Sampa.

Escrito por Beto às 09h48
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03/02/2006


Vamos Liberar?

As drogas movimentam anualmente bilhões de dólares, os governantes gastam outros bilhões para tentar diminuir o consumo e reprimir o tráfico, contudo não estão obtendo resultados positivos. Por que então não liberá-las?

A liberação do consumo de drogas é possível. Alguns países europeus já adotaram essa medida para algumas drogas, entretanto, alguns desses se tornaram ponto de encontro de jovens viciados de toda e Europa. Portanto, para que isso não aconteça, a liberação deve ser em nível mundial.

Hoje o consumo de drogas legais como o álcool e cigarros matam milhares de pessoas anualmente. Este tipo de droga mata lentamente seu usuário, ao contrário de drogas como cocaína, craque e heroína. Por isso, no primeiro estágio da legalização, provavelmente, haveria um aumento no consumo e conseqüentemente no número de mortos entre jovens e adultos. Porém com o tempo, esses índices diminuiriam e permaneceriam em níveis toleráveis.

Além disso, o dinheiro arrecadado através de impostos sobre as drogas seria usado em campanhas antidrogas e na construção de clínicas de recuperação.

Geralmente o usuário de drogas possui algum tipo de problema psicológico, logo, este pode ser um dos fatores que leva-o a consumir drogas. Isso pode ser amenizado, se o Estado investir na implantação da psicologia nas escolas e na elaboração de uma lei obrigando todas as empresas a fornecerem acesso a psicólogos para seus funcionários.

Incentivar a prática de esportes também é uma boa alternativa para diminuir o consumo de drogas e o envolvimento dos jovens com o crime. Isso pode ser feito através da construção de centros esportivos e culturais, que seriam patrocinados por empresas da região. Outra alternativa seria o funcionamento das escolas no fim de semana como centro de lazer, em São Paulo algumas escolas públicas já fazem isso.

Ademais, o tráfico seria praticamente extinto, pois haveria drogas em abundância e qualidade sendo vendidas em pontos controlados pelo Estado. Esses locais também serviriam para que o usuário pudesse consumir sua droga de forma higiênica, utilizando-se de espaços limpos e agulhas descartáveis.

Portanto, a legalização só é possível se forem desenvolvidos meios para conscientizar a população e não usar drogas, fornecer acessoria a quem usa e principalmente ser um plano de âmbito mundial.

Escrito por Beto às 20h51
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Nenhuma alma humana, nem mesmo a mais ingênua, constitui uma unidade. É antes, um mundo altamente diversificado, uma pequena constelação de estrelas, um caos informe, cheio de altos e baixos, um emaranhado de situações, de possibilidades, de heranças atávicas. Que cada qual procure ver neste caos uma unidade; que fale sobre si como de uma realidade simples, consistente, nitidamente indivisa; que, desse modo, se iluda passageiramente – parece ser uma necessidade compulsiva, uma verdadeira exigência de nossa vida.

Hermann Hesse

Escrito por Beto às 03h14
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